Existe mágica ou truques que só os engenheiros de áudio conhecem?

Podemos dizer que sim, se acharmos que o capricho e a preocupação com os mínimos detalhes é coisa de outro mundo. O primeiro passo e, sem dúvida o mais importante , é a qualidade daquele que vai atrás do instrumento, pois nem "Mister M" resolveria o problema de um baterista sem "pegada", ou desqualificado para o estilo que está se gravando. O segundo passo, está na afinação e escolha das peles , vale lembrar que aqui raramente ou quase nunca se usa a regra do "quanto mais velha melhor". Peles novas e a opção correta para som que estamos objetivando, e para o tipo de madeira do instrumento, são itens fundamentais. A afinação é onde perderemos alguns minutos ou horas se for preciso , não deixando para o técnico entortar o equalizador da mesa, colocar altas taxas de "gates" para tirar longas sobras dos tambores, afinal quanto mais pronto pudermos entregar para o gravador, melhor será o resultado da mixagem final.

A escolha dos microfones e o posição deles, pode parecer frescura, mas se você está usando em todas as peças da sua bateria, aquele microfone que usa para cantar, já está cometendo um grande erro. Cada instrumento da bateria tem freqüências diferentes, o bumbo por exemplo precisa de um microfone eficiente em captação de freqüência graves , atenuado na região de 200 à 800Hz, geralmente são microfone de grande porte, como os auto-falantes para graves. Podemos citar os clássicos: o D-112 da AKG, o RE - 20 da EV e o Shure SM-91. Já o posicionamento do microfone, depende de vários fatores , por isto vale experimentar colocá-lo em várias posições, mas geralmente os técnicos usam em shows ao vivo,

dentro do bumbo, um pouco à direita, mirando para o centro e afastado a uns dez cm da pele, para melhor captação do clique. Em estúdio, podemos acrescentar mais um microfone, colocando-o a um palmo, fora do bumbo.

Já nos instrumentos de freqüências altas, como Chimbal, Pratos e a esteira da caixa, o mais correto é usarmos microfones capacitivos, que é muito eficiente nesta região e atenuado nas graves. O AKG 414, o SHURE SM-81, são alguns exemplos.

Nos tons usaremos microfones dinâmicos como o SM 57 ou o Sennheiser MD 421, mirando-os para o centro do tom e preferencialmente deixar um de costa com o outro, evitando assim, cancelamento de fase. Na caixa, colocaremos 2 microfones diferentes: Um dinâmico semelhante ao dos tons, captando a parte de cima e um capacitivo com fase invertida, em baixo para pegar a esteira.

Finalmente , para os pratos usaremos 2 microfones capacitivos de mesmo modelo e marca; colocado-os acima, à uma distância aproximada de 70 cm dos pratos. O estéreo fica a cargo de cada um. Outro detalhe importante é o periférico a ser utilizado em cada peça da bateria. Pré-amplificadores, compressores, gates, equalizadores e muitos outros são acessórios para deixar o som ainda mais "apimentado" e