A Música do Teatro de Revista
Maximiliano Marques
É triste constatar que o Teatro de Revista Musicado Brasileiro, tema que faz parte da nossa cultura popular, é, hoje em dia, uma área desconhecida para grande parte da população. Este gênero de espetáculo musical surgiu no Brasil em meados do século XIX, e, com o decorrer do tempo, foi considerado o mais importante e expressivo gênero no sentido de produção teatral no país, destacando-se principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Seu texto concentrava-se na revista, ou seja, na recapitulação dos principais acontecimentos do país no ano precedente da estréia da peça, retratados de forma cômica, política e crítica. Além disso, o Teatro de Revista Brasileiro revelou artistas de renome, que tornaram-se, imediatamente, idolatrados por todo o país. É o caso de Araci Cortes, Oscarito, Grande Otelo, Bibi Ferreira, Mara Rúbia, Virgínia Lane, Renata Fronzi, Carvalhinho, entre outros. Paralelamente, foi responsável pelo lançamento de ídolos da Música Popular Brasileira, como Ary Barroso, Lamartine Babo e Pixinguinha, que mais tarde passaram a fazer sucesso no rádio e no disco. Ary Barroso, por exemplo, destacou-se em conseqüência da criação de inúmeros sambas para as revistas: O Tabuleiro da Baiana (revista Concurso de Beleza), Bahia (revista Dá-se um Jeitinho), No Rancho Fundo (revista É do Balacobaco), Faceira (revista Brasil do Amor), Risque (revista Há Sinceridade Nisso?), Aquarela do Brasil (revista Não vou no Golpe) e a Baixa do Sapateiro (revista É Xique Xique no Pixoxó). Apesar de sua trajetória bem sucedida ao longo de mais de cem anos de história, atingindo seu clímax nas produções de Walter Pinto (renovador do gênero), o Teatro de Revista Brasileiro, infelizmente, chegou ao fim, devido, principalmente, à concorrência da televisão, censura e falta de recursos financeiros para montar espetáculos dispendiosos. Recentemente, preparei um questionário sobre o Teatro de Revista Musicado Brasileiro, tendo o prazer de coletar vários depoimentos de ídolos do gênero: Bibi Ferreira, Renata Fronzi, Carvalhinho, Candeias Jota Júnior e Daisy Paiva, que gentilmente concederam-me a oportunidade de reviver uma área que conquistou não somente êxito nacional, mas também prestígio internacional. Desta forma, gostaria de revelar e compartilhar com os leitores da revista "Pense: Música", alguns trechos inéditos dessa entrevista. O que foi o Teatro de Revista?
Pense:Música - Além disso, é interessante salientar que o Teatro de Revista Musicado Brasileiro proporcionava o entretenimento, gerava muitos empregos para artistas e técnicos em geral e atraía um grande número de turistas para o nosso país. Saiba, agora, algumas novidades sobre a atuação de artistas
nesta área.Qual foi a sua participação no Teatro de Revista?
A música criada especialmente para o Teatro de Revista tornou-se uma especialidade dentro da área composicional?
Você acredita na possibilidade do reaparecimento do Teatro de Revista Musicado Brasileiro no futuro?
Renata Fronzi - Sim, porque o Teatro de Revista faz parte da história cultural brasileira.
Daisy Paiva - Acredito que sim. O público brasileiro é muito receptivo a esse tipo de espetáculo. Para tanto, basta: um bom empresário (com a carteira bem recheada); um bom teatro, com um palco adequado a esse tipo de espetáculo; do elemento humano não será preciso falar, uma vez que temos grandes artistas para todas as especialidades (músicos, coreógrafos, bailarinos(as), cantores(as), iluminadores, atores e atrizes); um bom patrocínio comercial; ajuda dos órgãos governamentais; apoio da imprensa; muita publicidade e não esquecer da grande estrela: "o público", que deverá ser privilegiado na aquisição dos ingressos.
Pense: Música:
Concordamos imensamente com a visão otimista desses artistas, no entanto, os leitores precisam refletir sobre outras questões. O encarecimento dos espetáculos, a proibição dos cassinos e a falta de segurança nas ruas não são fatores que dificultam o ressurgimento do gênero? Por outro lado, a legalização dos cassinos, aqui no país, poderia contribuir para a volta do Teatro de Revista Musicado no futuro? As universidades brasileiras de música, através do estímulo e da prática do gênero, poderiam ajudar nesse sentido
?As Universidades deveriam incluir uma matéria como composição para Teatro Musical, em seus respectivos currículos de ensino?
Bibi Ferreira - Sim, claro que sim. Porque assim desperta o interesse e o conhecimento da nossa própria obra de Teatro Musicado Brasileiro como Arthur Azevedo, Oduvaldo Viana, Viriato Correia e hoje, a obra magnífica de Chico Buarque de Holanda.
O desenvolvimento do ensino de composição para Teatro Musical no Brasil proporcionaria a formação de estudantes e profissionais na matéria?
Pense: Música:
Caros leitores, a formação de estudantes e profissionais na área não seria um passo importante para a divulgação do Teatro de Revista Musicado Brasileiro? É fundamental que exista divulgação sobre esse assunto, para que, a seguir, se instale, nas pessoas, o processo de descoberta, recordação ou resgate de um gênero musical que revelou, de forma plena; costumes, sentimentos e valores tipicamente brasileiros
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